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Caderno de viagem do documentário Valentin Adamovich IV

13 de setembro - destino: Capela do Sr Nezinho.

Como já mencionado em nosso 1º post, já avistamos a tal capela do Sr Nezinho no alto da coxilha da fazenda agora do Sr Pires.
No dia 10 mantive contato com o Sr Pires que foi muito simpático e receptivo as nossas necessidades. Como esta porteira estava aberta partimos na terça a tarde. A diferença desta viagem é que desta vez o carro foi lotado, afinal, todos queriam ver a tal capela.
Desta vez, conhecendo o caminho, era só uma questão de tempo e poeira na cara para encontrar a capela. Logo que a avistamos ao longe paramos o carro para filmar e fotografar. Todos estavam eufóricos por ver este monumento que vencia o tempo e a gravidade repousado sobre a linha do horizonte e abaixo de um belo céu azul.
Entramos na fazenda para avisar de nossa localização e seguimos para a coxilha. Subimos de carro e um mato alto não nos deixava saber onde estava a estrada. A poucos metros da capela descemos do carro e seguimos a pé. Estávamos curiosos para ver a pintura declarada por Alexandre (filho de Adamovich) em entrevista a Mario Simon nos anos 80.
Logo percebemos a situação de abandono que esta capela se encontrava. Haviam 2 túmulos no local, um de 1948, provavelmente do Pai de Nezinho, encomendador da capela, e outro dos anos 70, ambos em claro abandono.
Olhamos para todos os lados e nem sinal da pintura, apenas marcas de mofo. Concluímos que houve uma "restauração" da capela, o reboco fora refeito e uma pintura mais recente era visível a se descascar.
Infelizmente apagaram parte desta obra, mas mesmo assim é algo belo por sua singularidade.

Cabe a todos nós amenizar os efeitos do esquecimento e a degradação que o tempo impõe a nossa história para que futuramente sobre algo a contar.

Para maiores informações acompanhe este site e nosso canal no youtube.

Caderno de viagem do documentário Valentin Adamovich III

08 de setembro - destino: São Paulo das Missões e Roque Gonzales.

Partimos de Santo Ângelo e pegamos a estrada em busca do altar descrito por D. Clarina (descrito no post anterior). Seguimos rumo a São Paulo das Missões. Segundo o Sr. Henz o altar se encontrava em uma vila do interior, a qual não fazíamos idéia de onde era, mas como quem tem boca vai a Roma, isto não parecia ser problema. Após o breve desjejum da equipe na cidade, o qual não participei devido a minha ansiedade perturbante, partimos para a vila designada. Avistamos da estrada a igreja local, como nos haviam descrito na cidade de São Paulo das Missões.
A Igreja estava fechada então vimos uma casa aberta logo a frente da igreja e fomos lá para obter informações. Felizmente o morador era o responsável pela igreja e de cara tirou minhas dúvidas ao exclamar:
_ Temos que mante-la fechada porque tem ouro no altar desta igreja.
Dei-me por satisfeito - encontramos o altar.
Entramos na igreja e sua visão batia detalhadamente com a descrição de D. Clarina. Em estilo gótico o altar é imponente, claro que suas dimensões são menores que o altar central de Cerro Largo, de onde pertencia, mas mesmo assim é grandioso e rico em detalhes. Chama-nos atenção dois dragões, revestidos de ouro, postos simetricamente as laterais, além da maestria artesanal que torna esta obra cativante. Fiquei imaginando o quanto este altar, aliado ao central de Cerro Largo, enchiam a igreja com sua suntuosidade.
Após encher os olhos com esta obra, e claro, capturarmos as imagens para o documentário, fomos convidados por nosso anfitrião a conhecer os espaços de lazer criados aos fundos da igreja e, então, sob uma garoa fina partimos rumo a nosso novo destino: Roque Gonzales.
Chegamos em Roque Gonzales perto do meio dia, como tudo estava fechado, fomos almoçar. As 13h30 já estávamos a frente da Casa de Cultura Nelson Hoffmann quando chegou a Srª Hoffmann, filha do escritor Nelson Hoffmann (escritor e historiador, o qual gentilmente nos presenteou com seu livro "Terra de Nheçu", desenvolve em parceria com outros companheiros o movimento Nheçuano - /mais informações no site: http://www.nhecuanos.com.br/ ).
Inês gentilmente nos levou a casa de seu pai, onde mais uma vez encontramos uma pessoa invejável intelectual e culturalmente.
O sr Hoffmann nos contou como no período da segunda guerra mundial os imigrantes alemães ou descendentes eram perseguidos apenas pelo fato de falar sua língua natal, fato este que nos transporta a perseguição sofrida por Adamovich em São Luiz Gonzaga. Também nos contou da existência de uma marcenaria onde eram confeccionadas imagens e obras sacras por alguém que não era da família dos donos da empresa no período em que Adamovich espalhava suas obras pela região. E agora? seria essa pessoa o próprio Adamovich?
Para esta nova questão o Sr Hoffmann nos indicou outra fonte, mas só contarei quando tiver a resposta.

Enquanto isso, acompanhe nossos posts.

Caderno de viagem do documentário Valentin Adamovich II

31 de agosto - destino: Cerro Largo.
Saímos de Santo Ângelo abaixo de mais um belo dia. Chegamos a cidade de Cerro Largo e fomos direto a prefeitura onde na secretaria de cultura obteríamos mais informações. Na secretaria nos informaram sobre o Sr Guido Henz - professor e historiador.
Fomos a casa do Sr. Henz da qual se tem vista para toda cidade de Cerro Largo.
A conversa foi muito agradável e rica de conteúdo principalmente para nosso documentário. Segundo o Sr. Henz Adamovich trabalhou na restauração do altar da igreja matriz da cidade e confeccionou outro, que não está mais nessa igreja, mas em São Paulo das Missões. O altar mencionado parece ser aquele descrito pela Dona Clarina (mulher de Adamovich) ao historiador Mario Simon no ano de 1984. Este altar que dona Clarina se comove ao relatar foi construído para o lado dos homens (direito) e ornamentado com um dragão e revestido com folha de ouro. Encontrar esse altar é um de nossos objetivos para a próxima viagem.

Mais informações podem ser vistas neste site ou em nosso canal do youtube.